Tocantins tenta equilibrar agro forte e preservação ambiental

No Dia Mundial do Meio Ambiente, o Tocantins reforça um discurso cada vez mais presente: crescer no agronegócio sem abrir mão da preservação. Mas dados e especialistas mostram que esse equilíbrio ainda é um desafio

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Nos últimos cinco anos, o Brasil perdeu cerca de 8,56 milhões de hectares de vegetação nativa - (crédito: Carlos Fabal/AFP)

O estado faz parte do Matopiba; região considerada a nova fronteira agrícola do país e vive uma expansão acelerada da produção de grãos e da pecuária. Esse crescimento, no entanto, ocorre dentro do bioma Cerrado, que já é um dos mais pressionados do Brasil.

De acordo com estudos científicos, a expansão agrícola no Matopiba tem sido impulsionada pela demanda por commodities, mas também tem provocado substituição da vegetação nativa e impactos ambientais relevantes .

Agro como aliado da preservação?

Parte do setor produtivo defende que o agro moderno pode ser sustentável e que a preservação é essencial para a própria produção.

Dados apresentados pela Embrapa mostram que grandes áreas do Cerrado dentro de propriedades rurais são mantidas como preservação, incluindo Áreas de Preservação Permanente e reservas legais .

Para especialistas, o caminho existe, mas exige planejamento.

“É possível conciliar produção e conservação, desde que o uso do solo seja baseado em critérios técnicos e científicos”, defendem estudos ligados à pesquisa agropecuária .

Pressão sobre o Cerrado continua

Apesar desse discurso, os números mostram que a pressão ambiental segue alta.

O Cerrado é atualmente o bioma mais desmatado do país e concentra grande parte da expansão agrícola, especialmente na região do Matopiba .

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Colheita de arroz em Lagoa da Confusão(TO) – Foto: Elson Caldas/Governo do Tocantins

Além disso, levantamento do IPAM com base em dados do Prodes aponta que mais de 76% do desmatamento no Cerrado ocorre dentro de propriedades privadas, o que reforça a ligação direta com o uso produtivo da terra .

No Tocantins, estudos indicam que cerca de 23 mil km² de vegetação nativa foram desmatados entre 2012 e 2022, com forte concentração em áreas planas, justamente as mais favoráveis à agropecuária mecanizada .

Impactos ambientais e alerta de especialistas

Pesquisadores alertam que o avanço da fronteira agrícola traz consequências que vão além da perda de vegetação.

Entre os principais impactos estão:

  • perda de biodiversidade
  • degradação do solo
  • pressão sobre recursos hídricos
  • aumento das queimadas

Além disso, o Cerrado tem papel estratégico no abastecimento de água do país, sendo responsável por nascentes que alimentam grandes bacias hidrográficas brasileiras .

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Devastação do Cerrado. | Foto: Climate Policy Initiative

Outro ponto de preocupação é a expansão de culturas como a soja. Dados indicam que, nos últimos anos, grande parte dessa expansão ocorreu sobre áreas de vegetação nativa .

O desafio do equilíbrio

Para especialistas, o debate já não é mais “produzir ou preservar”, mas como produzir sem ampliar os impactos ambientais.

Enquanto o setor produtivo aponta avanços e cumprimento da legislação, pesquisadores alertam que o ritmo de transformação do Cerrado ainda é alto e pode comprometer o futuro do bioma.

Neste 5 de junho, a reflexão é direta:
o agro preserva mesmo ou ainda pressiona o Cerrado?

A resposta passa por fiscalização, tecnologia, políticas públicas, e principalmente pelas escolhas feitas agora.

Daiane Silva, 24 anos, é jornalista tocantinense e augustinopolina de berço. Já trabalhou em rádio e fez assessoria política nas eleições municipais de 2024. Apaixonada por livros-reportagem e inspirada no trabalho de Roberto Cabrini, sonha em seguir no jornalismo investigativo. Também pretende se aprofundar em Ciência Política para entender ainda mais sobre o cenário político e social.

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