O estado faz parte do Matopiba; região considerada a nova fronteira agrícola do país e vive uma expansão acelerada da produção de grãos e da pecuária. Esse crescimento, no entanto, ocorre dentro do bioma Cerrado, que já é um dos mais pressionados do Brasil.
De acordo com estudos científicos, a expansão agrícola no Matopiba tem sido impulsionada pela demanda por commodities, mas também tem provocado substituição da vegetação nativa e impactos ambientais relevantes .
Agro como aliado da preservação?
Parte do setor produtivo defende que o agro moderno pode ser sustentável e que a preservação é essencial para a própria produção.
Dados apresentados pela Embrapa mostram que grandes áreas do Cerrado dentro de propriedades rurais são mantidas como preservação, incluindo Áreas de Preservação Permanente e reservas legais .
Para especialistas, o caminho existe, mas exige planejamento.
“É possível conciliar produção e conservação, desde que o uso do solo seja baseado em critérios técnicos e científicos”, defendem estudos ligados à pesquisa agropecuária .
Pressão sobre o Cerrado continua
Apesar desse discurso, os números mostram que a pressão ambiental segue alta.
O Cerrado é atualmente o bioma mais desmatado do país e concentra grande parte da expansão agrícola, especialmente na região do Matopiba .

Além disso, levantamento do IPAM com base em dados do Prodes aponta que mais de 76% do desmatamento no Cerrado ocorre dentro de propriedades privadas, o que reforça a ligação direta com o uso produtivo da terra .
No Tocantins, estudos indicam que cerca de 23 mil km² de vegetação nativa foram desmatados entre 2012 e 2022, com forte concentração em áreas planas, justamente as mais favoráveis à agropecuária mecanizada .
Impactos ambientais e alerta de especialistas
Pesquisadores alertam que o avanço da fronteira agrícola traz consequências que vão além da perda de vegetação.
Entre os principais impactos estão:
- perda de biodiversidade
- degradação do solo
- pressão sobre recursos hídricos
- aumento das queimadas
Além disso, o Cerrado tem papel estratégico no abastecimento de água do país, sendo responsável por nascentes que alimentam grandes bacias hidrográficas brasileiras .

Outro ponto de preocupação é a expansão de culturas como a soja. Dados indicam que, nos últimos anos, grande parte dessa expansão ocorreu sobre áreas de vegetação nativa .
O desafio do equilíbrio
Para especialistas, o debate já não é mais “produzir ou preservar”, mas como produzir sem ampliar os impactos ambientais.
Enquanto o setor produtivo aponta avanços e cumprimento da legislação, pesquisadores alertam que o ritmo de transformação do Cerrado ainda é alto e pode comprometer o futuro do bioma.
Neste 5 de junho, a reflexão é direta:
o agro preserva mesmo ou ainda pressiona o Cerrado?
A resposta passa por fiscalização, tecnologia, políticas públicas, e principalmente pelas escolhas feitas agora.