Governador Wanderlei Barbosa

PF realiza nova operação contra governador afastado do Tocantins, suspeito de atrapalhar investigações sobre desvio de cestas básicas

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O governador afastado do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), voltou a ser alvo de uma operação da Polícia Federal nesta quarta-feira (12). A nova etapa, chamada Operação Nêmesis, investiga uma possível tentativa de interferência nas apurações da Operação Fames-19, que apura o desvio de recursos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia da Covid-19.

A ação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em Palmas e Santa Tereza do Tocantins. Segundo a PF, há indícios de que investigados teriam usado veículos oficiais para remover documentos e materiais que interessavam às investigações, com o objetivo de dificultar o trabalho policial.

Casa deixada às pressas

Conforme apuração da TV Anhanguera, Wanderlei teria deixado sua residência em Palmas às vésperas de ser afastado do cargo, no dia 3 de agosto. A casa foi encontrada com luzes acesas, comida sobre a mesa e um cofre aberto e vazio. Em um dos quartos, a polícia encontrou um celular restaurado às configurações de fábrica, o que levantou suspeita de tentativa de apagar informações.

Os agentes também relataram que os policiais responsáveis pela segurança do governador deram versões contraditórias sobre o paradeiro dele e da primeira-dama, Karynne Sotero Campos. O casal foi localizado horas depois em uma fazenda no município de Aparecida do Rio Negro (TO). A PF suspeita que eles foram avisados previamente da operação.

Desvios durante a pandemia

A Operação Fames-19, deflagrada em setembro, levou ao afastamento de Wanderlei Barbosa e da primeira-dama por 180 dias. A investigação apura supostos desvios de verbas públicas da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), que recebia recursos voltados à compra de cestas básicas durante a crise sanitária.

Os valores, segundo a Polícia Federal, teriam sido usados até mesmo na construção de uma pousada de luxo atribuída à família do governador. Entre os crimes investigados estão peculato, corrupção passiva, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Defesa nega irregularidades

A assessoria de Wanderlei Barbosa afirmou, em nota, que o governador afastado recebeu “com estranheza” a nova operação da Polícia Federal, enquanto aguarda o julgamento de um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode devolvê-lo ao cargo.

A defesa também disse que ele “reitera sua disposição de colaborar com a Justiça e mantém confiança nas instituições”.

Governador afastado e ex-primeira-dama viajaram o equivalente a quase quatro voltas ao mundo durante mandato

Nos três anos e meio em que esteve à frente do governo do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), afastado do cargo desde o início de setembro, realizou nove viagens internacionais custeadas pelo Estado. Sua esposa, Karyne Sotero, que também ocupava o cargo de secretária extraordinária de Participações Sociais, acompanhou o marido em oito delas.

De acordo com levantamento feito pelo g1 e pela TV Anhanguera, o casal percorreu juntos mais de 148 mil quilômetros, distância que corresponde a quase quatro voltas completas ao redor do planeta, já que a circunferência da Terra é de cerca de 40 mil km.

O afastamento de Wanderlei e Karyne foi determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no dia 3 de setembro, dentro da segunda fase da Operação Fames-19. A investigação apura possíveis desvios de recursos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia da Covid-19.

A defesa do ex-governador e da ex-primeira-dama informou, em nota, que todas as viagens tiveram caráter oficial, foram publicadas no Diário Oficial e estão dentro da legalidade. Segundo a assessoria, os compromissos no exterior garantiram benefícios ao Tocantins, como a assinatura de um acordo de crédito de carbono com a empresa Mercuria, na Suíça, em 2024, que teria rendido R$ 20 milhões aos cofres públicos. O comunicado também destacou que não existe vedação para que a primeira-dama acompanhe o governador em agendas internacionais.

Defesa de Wanderlei Barbosa pede habeas corpus no STF para tentar reverter afastamento

A defesa do governador afastado do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de habeas corpus na tentativa de restituí-lo ao cargo. O processo foi apresentado na última quinta-feira (4) e distribuído ao ministro Edson Fachin nesta segunda-feira (8). Ainda não há prazo definido para análise.

Wanderlei, junto com a primeira-dama Karynne Sotero, foi afastado por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) por 180 dias, durante a segunda fase da Operação Fames-19, da Polícia Federal. A investigação apura supostos desvios de recursos públicos a partir de emendas parlamentares e o recebimento de vantagens indevidas por agentes políticos durante o período da pandemia de Covid-19.

Em nota, o governador declarou que respeita as instituições, mas considera a decisão precipitada, reforçando que os fatos citados ocorreram em gestão anterior, quando ainda era vice e não tinha responsabilidade direta sobre os gastos. Já a primeira-dama afirmou que irá comprovar sua inocência no processo.

Os advogados de Wanderlei argumentam que não há provas concretas de corrupção que justifiquem o afastamento, que as acusações remontam ao governo de Mauro Carlesse (Agir) e destacam ainda os indicadores positivos da atual gestão na economia estadual.

Governador confirma entrega de câmpus da Unitins em Dianópolis e avanço de obras em Augustinópolis

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Durante a abertura do semestre letivo da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), o governador Wanderlei Barbosa reafirmou, nesta quarta-feira (30), que o novo câmpus de Dianópolis deve ser entregue até novembro. Ele também mencionou que a construção da unidade em Augustinópolis está em fase de liberação, o que pode acelerar o início das obras.

O anúncio foi feito durante a Semana Integrada 2025/2, evento que reuniu mais de 250 professores e tutores da Unitins para debates e alinhamento pedagógico. O governador destacou o compromisso da gestão estadual com a educação pública superior e com a valorização dos professores da rede.

O reitor da Unitins, Augusto Rezende, também esteve presente e falou sobre o apoio recebido para fortalecer a estrutura e a atuação da universidade nos câmpus de Palmas, Araguatins, Augustinópolis, Paraíso e Dianópolis.

Além de palestras e troca de experiências entre os docentes, o evento também teve transmissão ao vivo pela Rádio Unitins FM. Na ocasião, o governador reiterou que o foco da gestão é oferecer infraestrutura adequada desde a educação básica até o ensino superior.

Ainda não há previsão oficial para o início das obras no câmpus de Augustinópolis, mas a sinalização do governo indica que o projeto está entre as prioridades da área educacional no Tocantins.