Um esquema sofisticado de fraudes pela internet, que teve ligação direta com o Bico do Papagaio, terminou com a condenação de nove pessoas pela Justiça do Tocantins.
A sentença foi assinada pelo juiz Márcio Soares da Cunha, da 3ª Vara Criminal de Palmas, e aponta a atuação de um grupo acusado de aplicar golpes por meio de clonagem de cartões e criação de sites falsos.
De acordo com o processo, o líder do esquema é um homem de 34 anos que já havia sido investigado anteriormente em Itaguatins, no norte do estado. Ele voltou a ser identificado como peça central na organização criminosa.
“Escritório do crime” em hotel
As investigações começaram a partir da Operação “Crédito Fácil”, da Polícia Federal, que descobriu que o grupo usava um hotel em Palmas como base para aplicar os golpes.
Segundo a apuração, os suspeitos se hospedaram no local pelo menos 18 vezes, entre dezembro de 2017 e fevereiro de 2018. Utilizando a internet do hotel, eles realizavam compras fraudulentas e acessavam dados bancários de vítimas.
Mais de mil dados de vítimas
Durante a investigação, a polícia encontrou no celular do líder mais de mil e-mails com informações sensíveis, como números de cartões, CPF e endereços de vítimas.
A sentença detalha que o grupo criava páginas falsas de grandes lojas virtuais, atraindo consumidores com preços muito abaixo do mercado. Ao tentar realizar a compra, as vítimas tinham seus dados capturados.
Com essas informações, os criminosos faziam compras online, pagavam boletos e mantinham um padrão de vida elevado incluindo a própria hospedagem no hotel, quitada com cartões clonados, inclusive internacionais.
Organização estruturada
Ainda conforme a decisão, o grupo tinha divisão clara de funções. Enquanto alguns integrantes eram responsáveis por criar os sites falsos, outros operavam contas bancárias ou utilizavam os bens adquiridos.
Dois dos condenados também responderam por lavagem de dinheiro, após a compra de veículos de luxo para ocultar a origem dos valores obtidos ilegalmente.
Penas de até 17 anos
As penas aplicadas variam de 5 a mais de 17 anos de prisão. Os dois principais líderes receberam as maiores condenações e deverão cumprir pena inicialmente em regime fechado.
Já os demais envolvidos foram condenados a penas menores, entre 5 e 7 anos, com cumprimento em regime semiaberto.
Apesar das condenações, o juiz autorizou que os réus recorram da decisão em liberdade, caso não haja outros motivos para prisão. O caso ainda pode ser analisado pelo Tribunal de Justiça do Tocantins.
