Cerca de 800 mulheres ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, nesta segunda-feira (9), a Fazenda Santo Hilário, localizada no município de Araguatins, na região do Bico do Papagaio.
Segundo o movimento, a propriedade possui 2.462 hectares e teve a matrícula de posse cancelada em 2020, passando a pertencer à União Federal para fins de Reforma Agrária. Apesar disso, as integrantes do MST afirmam que o antigo fazendeiro continua atuando no local como se fosse proprietário, situação que classificam como um caso de grilagem de terras.
As manifestantes também cobram providências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). De acordo com o movimento, o órgão não teria cumprido o prazo estabelecido para a vistoria da área, que deveria ter ocorrido até setembro de 2025. A expectativa das famílias é que o local seja destinado ao assentamento de cerca de 200 famílias de trabalhadores rurais.
Ainda conforme o MST, o latifúndio possui histórico marcado por episódios de violência no campo, incluindo denúncias de trabalho análogo à escravidão e conflitos que teriam resultado em mortes.
As mulheres que participam da mobilização são de diferentes regiões da Amazônia e estão reunidas no município desde o domingo (8). Durante o encontro, elas realizam atividades de formação política e ações de solidariedade às famílias que, segundo o movimento, lutam há aproximadamente 20 anos pela implementação da Reforma Agrária Popular na área.
Até o momento, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária não se pronunciou oficialmente sobre a ocupação. Caso haja manifestação do órgão ou de representantes da propriedade citada, a matéria poderá ser atualizada.
