Festa do Cupu

Sem resposta e sem festa? Silêncio da prefeitura preocupa moradores em Esperantina

A dois dias da data prevista para a tradicional Festa do Cupu, em Esperantina, moradores têm cobrado um posicionamento oficial da prefeitura diante da falta de informações sobre a realização do evento neste ano.

Até o momento, a gestão municipal não divulgou nenhum comunicado recente confirmando a programação ou tratando da possível não realização da festa. Nas redes sociais oficiais, também não há publicações atualizadas que esclareçam a situação, o que tem aumentado a incerteza entre a população.

Mesmo sem anúncio oficial, o Portal da Transparência do município registra processos de contratação relacionados à logística do evento, como estrutura e serviços, o que gera ainda mais dúvidas entre os moradores sobre o andamento da organização.

A ausência de comunicação tem sido alvo de críticas, principalmente por parte de comerciantes e trabalhadores informais, que dependem da festa para planejar atividades e garantir renda extra. Sem informações claras, muitos relatam dificuldade para se organizar.

Considerada uma das principais manifestações culturais da cidade, a Festa do Cupu costuma movimentar a economia local e atrair visitantes. Neste cenário, o silêncio da prefeitura sobre a possível não realização do evento intensifica a apreensão da população.

Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Esperantina não havia se pronunciado oficialmente sobre o caso.

Contexto

O cenário de incerteza em torno da Festa do Cupu, em Esperantina, ocorre após uma intervenção do Ministério Público do Tocantins (MPTO), que acionou a Justiça pedindo a suspensão de shows previstos para o evento, entre eles o do cantor Amado Batista. A medida foi motivada por questionamentos sobre os gastos públicos e a situação financeira do município.

De acordo com a ação, a prefeitura firmou contratos que somam cerca de R$ 1 milhão para apresentações artísticas, incluindo cachê de aproximadamente R$ 550 mil para Amado Batista, além de outros artistas.

O MPTO argumenta que as contratações ocorreram no mesmo período em que o município decretou situação de emergência devido a fortes chuvas, que causaram danos à infraestrutura local. Além disso, a cidade ainda enfrenta reflexos de uma crise financeira, com histórico recente de dívidas superiores a R$ 31 milhões e atrasos salariais.

Na ação, o órgão aponta possível desvio de finalidade no uso do decreto de emergência para justificar contratações sem licitação, além de falhas na transparência, como a ausência de publicação de contratos em portais oficiais.

Diante disso, o Ministério Público pediu, em caráter liminar, a suspensão dos pagamentos e o cancelamento dos shows programados para a Festa do Cupu, bem como a devolução de valores já pagos antecipadamente.

O caso segue em análise pela Justiça e contribui para o atual cenário de dúvidas e falta de informações oficiais sobre a realização do evento, que tradicionalmente movimenta a economia e a cultura local.