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Tocantinópolis: repasses a clube de futebol entram na mira de investigação por possível desvio de recursos

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A Polícia Civil do Tocantins realizou, na manhã desta quinta-feira (12), a Operação 2º Tempo, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados a um clube de futebol no município de Tocantinópolis, no norte do estado. Durante a ação, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em residências, repartições públicas e na sede da entidade esportiva.

A operação foi conduzida pela 1ª Divisão de Repressão ao Crime Organizado, com apoio de unidades especializadas da corporação, entre elas a Diretoria de Repressão ao Crime Organizado (Dracco), o Grupo de Operações Táticas Especiais (Gote), a Divisão de Repressão a Narcóticos (Denarc), a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa de Gurupi (DHPP) e a Divisão de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DRCOT).

Segundo as investigações, há indícios da prática de peculato, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As apurações começaram após relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontarem movimentações financeiras consideradas atípicas relacionadas a repasses feitos pela administração municipal ao clube.

De acordo com a Polícia Civil, o esquema investigado teria três frentes principais. A primeira envolveria a liberação de recursos públicos ao clube mesmo após decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCE/TO) que apontavam irregularidades nessas transferências.

O segundo ponto apurado é a possível utilização da entidade esportiva como estrutura para dar aparência de legalidade às movimentações financeiras, por meio da produção de documentos como atas e recibos que indicariam atividades esportivas ou ações de interesse público que, segundo a investigação, não teriam comprovação.

Já a terceira etapa do suposto esquema consistiria na distribuição dos valores para contas pessoais de dirigentes e outras pessoas ligadas ao grupo, além de saques em dinheiro, estratégia que poderia dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

O prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 5,1 milhões. Conforme a Polícia Civil, os repasses investigados teriam ocorrido de forma contínua entre os anos de 2009 e 2024.

Durante a operação, 34 policiais civis, sendo 32 investigadores e dois peritos, participaram das diligências para recolher documentos administrativos, equipamentos eletrônicos e registros contábeis que podem auxiliar no avanço da investigação. Entre os alvos está um policial militar da ativa, motivo pelo qual a Polícia Militar também acompanhou o cumprimento de parte dos mandados.

O nome da operação, “2º Tempo”, faz referência à etapa final de uma partida de futebol e simboliza, segundo a Polícia Civil, a continuidade das investigações sobre o possível uso do esporte como meio para práticas ilegais envolvendo recursos públicos.

A corporação reforçou que seguirá com as apurações para identificar todos os envolvidos e responsabilizar eventuais autores, destacando a importância do combate a crimes contra a administração pública e da proteção do patrimônio coletivo.

Daiane Silva, 24 anos, é jornalista tocantinense e augustinopolina de berço. Já trabalhou em rádio e fez assessoria política nas eleições municipais de 2024. Apaixonada por livros-reportagem e inspirada no trabalho de Roberto Cabrini, sonha em seguir no jornalismo investigativo. Também pretende se aprofundar em Ciência Política para entender ainda mais sobre o cenário político e social.

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