Araguatins: estudante do IFTO cria goma de mascar natural à base de amora para aliviar sintomas da menopausa

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Renatta e as orientadoras Kátia Paulino de Sousa e Lunalva Aurélio Pedroso Sallet — Foto: Arquivo pessoal/Renatta Cardoso

Inspirada nas próprias experiências familiares, a estudante Renatta Cardoso da Silva, do curso de Biologia do Instituto Federal do Tocantins (IFTO) campus Araguatins, desenvolve uma goma de mascar experimental feita com amora, voltada a amenizar os sintomas da menopausa. O projeto, ainda em fase inicial, será apresentado durante a 16ª Jornada de Iniciação Científica e Extensão (JICE), evento do IFTO que acontece em novembro.

A pesquisa surgiu dentro do Programa de Iniciação Científica IFTO/CNPq, com orientação da professora Kátia Paulino de Sousa e coorientação da professora Lunalva Aurélio Pedroso Sallet, da Unitins. O estudo busca associar o potencial fitoterápico da amora a um formato acessível e prático de consumo.

Ciência e cotidiano feminino

Renatta conta que o interesse por plantas medicinais vem desde a adolescência, quando conheceu mais sobre o tema em uma visita técnica ao Instituto Federal de Brasília. Mas foi observando a própria mãe enfrentar os efeitos da menopausa como ondas de calor e insônia que ela decidiu transformar a curiosidade em projeto científico.

“Percebi o quanto muitas mulheres ainda têm medo dos hormônios sintéticos e buscam opções naturais. A ideia era criar algo acessível, que unisse o conhecimento popular com a ciência”, explica a estudante.

A amora, tradicionalmente usada em chás por gerações, é conhecida por conter compostos bioativos com ação antioxidante e propriedades que podem ajudar no equilíbrio hormonal. Na pesquisa, a fruta utilizada é da espécie Morus spp.

Da ideia ao laboratório

O desafio, segundo Renatta, foi desenvolver uma goma que mantivesse as características naturais da amora sem perder o sabor e a textura ideais. “Muitas mulheres nessa fase têm o olfato e o paladar mais sensíveis, então trabalhamos para que o aroma e o gosto fossem suaves, nada enjoativos”, contou.

Durante três meses, a equipe testou diferentes proporções e consistências até chegar a uma formulação adequada. Ainda não houve testes em voluntárias, já que o produto está em fase de ajustes e padronização.

Pesquisa com propósito

Mesmo sem comprovação clínica, a proposta desperta interesse pela inovação e pela sensibilidade com que aborda um tema pouco debatido na ciência. “A menopausa ainda é cercada de tabus, e trazer esse olhar para dentro das instituições públicas é muito importante”, destaca a professora Kátia Paulino.

Renatta pretende continuar os estudos e ampliar o alcance da pesquisa, buscando transformar a goma em uma alternativa complementar e não substitutiva aos tratamentos convencionais.

“Trabalhar com fitoterápicos me fez entender que a ciência pode estar muito mais próxima da nossa vida do que imaginamos. É unir o saber popular ao rigor científico”, resume.

O próximo passo

O projeto foi selecionado para a chamada pública “Meninas na Ciência”, e as próximas etapas incluem testes de segurança e a formalização do registro junto ao IFTO.

Se aprovada, a goma poderá representar uma nova forma de cuidado natural voltada à saúde da mulher, um exemplo de como a pesquisa estudantil pode gerar impactos reais para a sociedade.

Daiane Silva, 24 anos, é jornalista tocantinense e augustinopolina de berço. Já trabalhou em rádio e fez assessoria política nas eleições municipais de 2024. Apaixonada por livros-reportagem e inspirada no trabalho de Roberto Cabrini, sonha em seguir no jornalismo investigativo. Também pretende se aprofundar em Ciência Política para entender ainda mais sobre o cenário político e social.

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