Um professor da rede estadual de ensino do Tocantins vive um transtorno financeiro após identificar descontos elevados em seu contracheque causados por empréstimos consignados que ele afirma nunca ter contratado. Ao todo, os débitos somam quase R$ 2,5 mil por mês e, ao final do contrato, ultrapassariam R$ 230 mil.
O servidor, que leciona em duas escolas da região norte do estado, percebeu a irregularidade ao analisar os valores descontados do salário. Segundo ele, foram registrados dois consignados, ambos com prazo de 96 parcelas, sem qualquer autorização ou assinatura de sua parte.
Ao buscar esclarecimentos em uma agência bancária localizada em Luzimangues, distrito de Porto Nacional, o professor foi informado de que uma conta teria sido aberta em seu nome e que o empréstimo foi formalizado em outra unidade bancária. Indignado, ele relata o impacto da situação. “É desesperador. Um valor desse ia comprometer minha vida inteira”, afirmou.
Mesmo após procurar a Polícia Civil, o Procon e órgãos do Governo do Estado, o problema ainda não foi solucionado, e os descontos continuam sendo feitos mensalmente.
De acordo com a Polícia Civil, o caso está relacionado a um esquema de golpes financeiros que tem servidores públicos como principais alvos. No dia 27 de janeiro, dois homens foram presos em flagrante ao tentar realizar um empréstimo de aproximadamente R$ 380 mil em uma agência bancária no sul de Palmas, utilizando documentos falsificados em nome de servidores.
Segundo as investigações, os suspeitos utilizam documentos verdadeiros das vítimas, mas com informações manipuladas, o que dificulta a identificação imediata da fraude. “Os criminosos se passam pelas vítimas e conseguem concluir as operações sem que o servidor sequer tenha conhecimento”, explicou o delegado responsável pelo caso.
A polícia informou ainda que os golpistas costumam selecionar servidores com margem consignável elevada, o que possibilita empréstimos de alto valor. Há indícios de que os suspeitos atuem em diferentes estados do país e estejam envolvidos em outros crimes semelhantes.
Em nota, a Secretaria de Estado da Administração orientou servidores que identifiquem movimentações financeiras suspeitas a registrarem boletim de ocorrência, procurarem a instituição bancária para contestação e acompanharem regularmente seus contracheques. A pasta reforçou que esse tipo de situação envolve relação direta entre o servidor e o banco.
Já a instituição financeira citada informou que, ao tomar conhecimento do caso, iniciou os procedimentos para cancelar a operação fraudulenta e realizar o ressarcimento dos valores descontados indevidamente, além de colaborar com as autoridades na apuração dos fatos.
